[Professores Titulares] Opinião

Helio Goldenstein hgoldens em usp.br
Segunda Maio 13 15:11:03 -03 2024


Concordo plenamente com as considerações do professor Ruggieri. 
Acho que devemos levar esta posição às instancias decisórias da USP.

Quero apenas aproveitar para tocar em mais um ponto que pode ser crítico, e que pouca gente leva em consideração. Quando visitei a China em 2017, o sistema Google estava bloqueado, só consegui acessar e-mail e os Sistemas USP usando nosso VPN. Mas o One Drive e o Bing da Microsoft e o iCloud da Apple funcionavam perfeitamente. Ao questionar, me informaram que tanto a Microsoft como a Apple concordaram com o governo da China de deixar servidores “espelho” no território chinês, ao passo que a Google insistia em ter todos seus servidores fora do país. 
Algo semelhante acontece com as nossas assinaturas de periódicos, tanto a USP como a CAPES não negociaram ter um “espelho“  dos periódicos já pagos, no Brasil. Como consequnecia, quando uma assinatura é descontinuada, ou atrasa o pagamento (aconteceu varias vezes) perdemos o acesso a todos os numeros anteriores  já pagos. Algum tempo atrás os periódicos do IEE, principais periódicos de engenharia elétrica  ficaram bloqueados algum tempo, devido a um atraso da CAPES no pagamento!  No caso dos nossos dados, acho que negociar um “espelho“ local também é importante.

Muitas empresas brasileiras, como a Vale por exemplo, estão hoje se preparando para possíveis interrupções nos fluxos globais de mercadorias ou de dados, temendo o recrudescimento de guerras frias (ou mesmo quentes). Em particular,  as chamadas “sanções econômicas” que são uma das armas contra paises que não obedecem à risca os interesses americanos, e começam por bloqueio do fluxo de dados.
Na Universidade TsingHua em Beijing me perguntaram se a USP não se preocupava com proteger inovações geradas na universidade e aceitava ter todo seu fluxo de mensagens e arquivos aberto para um pais com interesses neocoloniais muitas vezes conflitantes com os nossos.

Outro ponto é a crítica ao sistema USP criado no antigo CCE, que concordo que hoje está extremamente difícil de navegar e mesmo incomodo: lembro porém que estes sistemas tiveram origem na gestão Goldenberg da reitoria, no fim dos anos 90 e início dos anos 90, e certamente deveriam ser permanentemente refeitos e modernizados. Mas a equipe que fez esta engenharia de software saiu logo depois da gestão Goldenberg e montou um spin off, gerido pela Eliza Wolynec, que foi extremamente bem suscedido, montando sistemas para diversas outras universidades, e para cidades como Santos, e também para o Itamarati, enquanto nosso sistema ficou estagnado por falta de investimentos em modernização.
Portanto tratar este desenvolvimento de ferramentas de gestão como um investimento em projeto de P&D da universidade teria o potencial de serem comercializados e produzir receitas através das fundações, desde que corretamente geridos, ao invés de serem tratados como despesas a serem cortadas em nome da “austeridade”.
Saudações 
Hélio Goldenstein
Professor titular senior, EPUSP Engenharai Metalúrgica e de Materiais

> Em 13 de mai. de 2024, à(s) 09:53, Claudio Ruggieri via professorestitulares <professorestitulares em listas.usp.br> escreveu:
> 
> Colegas, bom dia!
> 
> Tenho acompanhado essa discussão, lido a maioria das mensagens e, embora não goste de entrar em ciclos de discussões que parecem não ter fim ;-), eu gostaria de respeitosamente emitir a minha opinião e, também discordar de diversos comentários já postados.
> 
> Em primeiro lugar, o serviço de email e armazenamento de dados, entre outros serviços associados, é um meio de suporte às nossas duas atividades-fins mais importantes, quais sejam, docência e pesquisa, e não um fim em si mesmo. Portanto, a USP deveria nos fornecer o melhor serviço disponível dentro, obviamente, das condições financeiras possíveis no atual cenário. O que está sendo discutido e proposto pelo STI é, em minha modesta opinião, um retrocesso e uma falta de visão estratégica. Pode-se até discutir se os alunos e os servidores necessitam de espaço ilimitado, como era anteriormente, mas limitar um espaço de 100 Gb aos docentes e pesquisadores é algo, eu diria, inaceitável daquela que se autoproclama a melhor universidade da América Latina...... E o curioso é que isso até custa relativamente barato. O plano individual do Dropbox (o qual, a propósito, é muito melhor que o Google Drive) custa 50 reais (9 dólares) por mês por 2 Tb de storage, 50 Gb de transferência de arquivos e backup automático por 30 dias. Tudo bem que somos muitos docentes, mas creio ser viável negociar um plano "empresarial" com a quantidade de 1 Tb por docente que foi comentada anteriormente.
> 
> Dito isso, eu também respeitosamente discordo daqueles que pensam que a USP deveria, então, gerir o seu próprio sistema de emails ou data storage. Basta lembrar da precariedade que era o sistema anterior ao convênio com a Google. Aliás, basta observarem a precariedade que é o ATUAL sistema de TI da USP. Alguém já tentou cadastrar um convênio de um projeto de P&D no Mercúrio? Um bem material no patrimônio do Mercúrio? Cadastrar um projeto de pós-doutorado no Atenas? E o Janus e Júpiter? Eu literalmente "bati cabeça" recentemente no Janus para acessar os dados de um doutorando que irá defender sua tese em breve e avaliar o depósito da tese. Os sistemas da USP até funcionam depois de alguma insistência e depois de algumas tentativas, mas parece que estou usando um navegador da década de 90, quando a linguagem disponível para construção de sites era o HTML básico. Simplesmente inacreditável!
> 
> O ex-líder chinês Deng Xiaoping disse uma frase que se tornou célebre ao pregar o pragmatismo de ações: "It doesn't matter whether a cat is white or black, as long as it catches mice". Ou seja, não importa muito se é a Google, Microsoft, Oracle, ou até mesmo a USP, desde que seja um serviço eficiente e confiável, e que permita que, principalmente, nós docentes desempenhemos nossas funções de docência e pesquisa com a máxima efetividade e produtividade, sem que eu tenha que perder tempo brigando com o sistema ou, o que é pior, sem que eu fique sem acesso ao sistema. Aliás, a maioria das universidades americanas também usa serviços das grandes "big techs" e ninguém tem problemas com isso. Passei recentemente vários meses na Texas A&M e lá todo o sistema é da Google similar ao nosso. Portanto, não procede a afirmação de que "entregar" o serviço à Google ou à Microsoft coloca em risco dados confidenciais, sigilo, etc. Ora, há vários projetos nas universidades americanas patrocinados e suportados diretamente pelo DoD (Department of Defense), DoE (Department of Energy) e DoT (Department of Transportation), sem falar nos diversos projetos suportados pelos seus laboratórios nacionais (SANDIA, Oak Ridge, etc.), todos sem problemas. Pelo que eu saiba, não foi pela Google ou pela Microsoft que os "Pentagon Papers" foram parar no Wikileaks.....
> 
> Assim, colegas, em minha modesta opinião, deveríamos nos posicionar e solicitar / pressionar a USP para que nos forneça um serviço de TI similar ao que há nas universidades e centros avançados, incluindo todos os sistemas atualmente disponíveis. Se a USP quer ser grande, tem que pensar e agir grande, começando pela revisão deste número de 100 Gb.
> 
> SDS,
> 
> 
> -- 
> Claudio Ruggieri, Ph.D.
> Professor of Structural Mechanics
> Fracture Mechanics and Structural Integrity Research Group - NAMEF
> CNPq Research Fellow 1A
> Dept. of Naval Architecture and Ocean Engineering - University of Sao Paulo - Brazil
> Voice:  +55-11-30915184
> Fax:     +55-11-30915717
> E-mail: claudio.ruggieri em usp.br <mailto:claudio.ruggieri em usp.br>
> Lattes: http://lattes.cnpq.br/2050116282937572 <http://lattes.cnpq.br/2050116282937572>-- 
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